terça-feira, 9 de abril de 2013

Dentro de meus sonhos


  Não gosto de usar vestido, mas estou usando um branco, quase transparente, agora. Daqueles soltinhos, que balançam no ritmo do vento. Não gosto de branco, mas é uma cor que me lembra paz, e é o que estou sentindo agora. Eu gosto de flores, e no momentos estou rodeada delas. São de todas as cores, e de todos os tipos, que nem imagino o nome. Meu violão, porém, não está comigo como sempre sonhei. Estou só eu. Eu, o vento, as flores e meu vestido.
  O vento bagunça meu cabelo curto, mas eu não ligo, eu gosto. Levanta meu vestido, e sinto o frescor dentro de mim. Balança as flores, que fazem cócegas nas minhas pernas. E diante de uma imensidão colorida, me vêm o desejo súbito de correr. E corro, como se nunca fosse cansar, e o campo me parece infinito. Sinto a liberdade em meus pés descalços. Sinto como se eu tivesse asas e o vento me fizesse de brinquedo. Sinto a felicidade.
  Então eu canso, e me jogo ao chão em um suspiro de felicidade, alívio e cansaço. Olho para o céu, e ele está como eu gosto. Aquelas nuvens compridas, anunciando que dias de chuva vêm por aí, mas ainda assim, com um céu azul. Fico olhando, sentindo a brisa suave me refrescar. Finalmente, meus olhos se fecham, e eu acordo do meu sonho de paz.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Isolamento acústico

  Ponho meus fones de ouvido e, no mesmo instante, o mundo fica mudo. Um isolamento acústico para meus pensamentos. De certa forma minha mente se expande, o mundo deixa de ser tão inerte, já que nesse estado consigo ver de fato o que ocorre ao meu redor. Pois sem o fator auditivo, a análise ocular se torna de fato mais límpida.
  Percebo, então, coisas que poucos vêem. Não deixo passar os detalhes mais insignificantes. Que lindo é o mundo agora, sem as histerias desnecessárias do dia a dia. E no entanto, como é terrível perceber que nunca havia visto o mendigo que mora à três quadras da minha, e que a maioria das pessoas ainda o farão invisível. Sem voz somos todos iguais, pois não há o tom de superioridade em um patrão que se dirige ao seu empregado, nem o desprezo quando alguém mais velho tem algo a lhe falar.
  Sem voz somos um todo. Somos sem opinião, isso porém, não torna o silêncio melhor. Pois de todos os nossos bens, é a nossa opinião que nos torna únicos, e por isso, se temos voz, que seja decentemente usada. Ninguém quer ser apenas mais um alguém mudo ou repreendido. Se temos voz, que seja para nosso bem e o bem de todos ao nosso redor.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Da série "Eu não assisto BBB": Falar mal também dá ibope.

  Nos últimos dias, o assunto principal de várias conversas, ou percursor para iniciar algumas, tem sido o BBB. A partir daí, você pode esperar todo o tipo de comentário, desde o clássico "Você viu quem saiu da casa ontem?" até o "Eu não acredito que eles ainda não pararam de produzir aquele programa." Como de costume, virou assunto no facebook. E o irônico é que, há sempre aquelas pessoas que postam coisas como "Não quero ver postagens sobre BBB esse ano na minha timeline, compartilhe se você também não." Certo, meu bem, mas isso não é uma postagem sobre BBB? Vejo uma certa incoerência aí, hein.
  De qualquer forma, quero que saibam: Eles não ligam se você não assiste a porcaria do programa deles. É claro que ibope é essencial para esse tipo de programação, mas ter BBB nos Topic Trends já é mais do que suficiente para eles. E vocês sabem, quem usa o Twitter principalmente, que os TT's não diferenciam o tipo de comentário (bom ou mau), ambos estão ali. A questão é, falar mal também da ibope. O caso da Rebecca Black representa muito bem isso (sei que é um assunto velho, mas vamos ao argumento em questão), a garota não canta bulhufas, a música dela é um lixo, e todos nós concordamos nisso, mas ela ficou famosa pela sua exorbitante reprovação no YouTube. Fora que, hipocritamente, aqueles que falam mal de BBB, também o assistem, se não, não teriam o que falar, não?
  A minha opinião sobre BBB sempre foi clara: Eu não gosto e não assisto, e sempre preferi não manisfestá-la pelos motivos citados acima. Porém, ontem conheci um senhor, que para variar não lembro o nome, excepcionalmente inteligente e com a memória pelo menos umas três vezes melhor que a de qualquer um que virá a ler esse texto. Ele se mostrou tão indignado por ser obrigado a assistir o tal do programa, por eles enfiarem algo completamente sem cultura ao invés de uma programação que trouxesse conteúdo aos expectadores, que eu pensei: Poxa, ele tem razão, eu penso da mesma forma que ele. Quem está errada sou eu em não me manifestar.
  Então, aí está a minha manifestação indo contra as minhas ideias, e me tornando de certa forma hipócrita. Dediquei um texto do meu blog para falar do assunto que tanto repugno: BBB, para pedir humildemente que deixem esse assunto de lado. Se você não gosta de BBB, não critique quem gosta, a não ser que tenha uma argumentação elaborada. Aprenda a simples frase: "Falar mal também dá ibope". E leve isso consigo. Um dia, aqueles que ainda assistem, também vão enjoar, também vão perceber que o programa não emite cultura alguma, e que é apenas mais um meio de manipulação da globo. O melhor que você pode fazer é mostrar de forma clara, sem o desespero de converter a pessoa a uma anti-BBB, tudo o que o BBB realmente é, tudo o que eles fazem com as pessoas que assistem e com as que estão dentro da Casa. Pronto. Não precisa discutir, nem xingar, nem mandar os outros compartilharem coisinhas no facebook, nada. Quer fazer algo útil? Não tente converter o mundo, comece mudando as pessoas ao seu redor, é mais eficiente.
  E por fim, desligue a TV e vá ler um livro.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Será que somos felizes?

  Somos felizes por comprar nossa TV de cinquenta polegadas, assinar TV via satélite e poder olhar nosso seriado favorito comendo brigadeiro? Somos felizes por tirar notas boas ou conseguir uma promoção no emprego? Somos felizes por comprar o carro do ano, ter uma piscina e ir para a praia nas férias? Não sei. Não tenho metade disso. Como teria, se nem 18 anos eu tenho?
  Seria eu feliz com meus 18 anos feitos? Com a possibilidade de fazer uma carteira, poder comprar bebida (sabemos que isso já era possível, mas, digamos "legalmente") e sair de casa sendo responsável por mim mesma? Não sei. Me diga você com seus 18 anos aí, alguma coisa mudou? É só mais uma idade, sabemos disso. E eu nem gosto de fazer aniversário.
  Felizes mesmo, éramos quando não precisávamos de todas essas coisas para nos satisfazer, quando um simples galho em forma de "arminha" fazia toda uma brincadeira. Quando acabavam os programas chatos da manhã, e começavam nossos desenhos favoritos. Ah, aqueles desenhos que nenhuma criança de agora vai saber como era. A nossa felicidade estava em não ligar para as coisas, porque não éramos pressionados por nada e por ninguém. A única coisa que cobravam de nós (e viva o machismo - que fique clara a ironia) é que as meninas usassem rosa e brincassem de boneca, e os meninos usassem azul e brincassem de carrinho.    Hoje não. Hoje temos que ter um carro, casa, emprego, estar na moda, ter filhos, ser bem comportado, politicamente correto, e afins. Mas que bosta? Isso não me faz feliz. A sociedade que se foda.
  Você é feliz? Sei lá cara. Se todas essas coisas o satisfazem, então aproveite. Entretanto, se você é como eu, e não vê sentido algum em todas essas futilidades, passe a não ligar para tudo que cobram de você, e encontre a sua felicidade. Num pôr-do-sol com os amigos, ou nas notas de um violão tocadas num dia chuvoso. Nas folhas das árvores caindo no outono, ou no vento gelado de inverno. Não importa. Na verdade, tudo o que eu disse não é um texto de auto-ajuda, ele também não importa. Just be happy.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Daqui pra lá


   Metrôs sempre me pareceram interessantes. Talvez seja a paisagem passando, ou a sensação de estar fora do trânsito congestionado de Porto Alegre. Também tem aquele barulho, que dá a sensação de que a qualquer momento o vagão vai se soltar e vai acontecer como nos filmes, onde um ser estranhamento heroico salva a todos. Ou, talvez, não seja nada disso.
    A estação de metro já foi cenário para muitas histórias minhas. É banal, clássico. A mocinha diz que vai embora, e o mocinho vai atrás dela na estação de metrô, ele se declara, eles se beijam, e tudo acaba em fraldas sujas depois. Entretanto, não é isso que tem de especial nas estações de metrô, e no transporte propriamente dito. O metrô é o único transporte terrestre onde você pode ler sem ter náuseas, e eu sofro muito disso. E no que isso influencia? Sei lá, eu só queria relatar essa minha felicidade.
   Já notou como as pessoas no metrô são diferentes das que andam de ônibus? Certo, eu sei. Sei que são as mesmas pessoas, mas é diferente. Elas me parecem mais intrigantes, todavia acho que isso é resultado de um melhor posicionamento dos bancos, possibilitando um contato visual melhor. Enfim, elas me interessam. Dia desses fui a POA com a minha mãe, e havia uma garota sentada ao meu lado com um violoncelo apoiado entre as pernas. Lembro que pensei: “Poxa, e eu ainda acho trabalhoso carregar um violão.” Aparentemente ela ia para um concerto, ou algo do gênero, porque estudava suas partituras com muita atenção, mas isso quando não estava dormindo durante a viagem.
   Normalmente, uma pessoa, como a garota do violoncelo me chama atenção. Então eu começo a observar. Não criticar, nem julgar, apenas olhar. E logo me pego divagando sobre a possível vida do objeto em questão. E o mais impressionante, é como os metrôs são nostálgicos, entretanto, acho que apenas eu sinto isso. De qualquer forma, naquele embalo barulhento viajo em histórias malucas, de amores e um pouco de ação. Viajo nas histórias das pessoas ao meu redor. Viajo por meus pensamentos, e por tudo, não apenas de metrô.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Eu Sei


  Sei que não sou interessante. Sei que por mais que eu queira acreditar, não sou diferente de ninguém. Sei que não mudarei o mundo, e que serei apenas mais um personagem sem voz de uma história mundial feita de guerras de gananciosidade. Sei que todas as vezes que eu neguei ser igual aos outros, eu estava mentindo. Eu sou igual, sou igual a todos. Sou apenas mais um número em um percentual de uma pesquisa qualquer. Tento me destacar, mas sei que sou apenas mais um. Não por parecer com os outros, mas pelos outros não me verem como um só. Sempre nos verão como um todo. Sempre farão generalizações. Sempre nos tratarão como um número e nos presentearão com cotas. Sempre. Somos todos iguais, para eles, somos todos sem identidade.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Passos em direção a luz

  Os seus passos ecoavam pelo corredor comprido.  Por mais que tivesse passos leves, era impossível que em tais circunstâncias não fizessem barulho. Andava descalça. Havia tirado suas sapatilhas pois apertavam seus pés e não a deixavam pensar. Era bom sentir o chão gelado na sola dos pés após um dia tão quente. Seus pensamentos estavam ali, nos pés. Em um local tão gélido, mesmo com o calor que fazia lá fora, tão escuro e tão solitário, era difícil não pensar nas únicas duas coisas que faziam barulho lá: seus pés.
 Ora corria, ora andava devagar para sentir melhor o solo. Logo, deu-se conta da sua respiração ofegante e começou a ritmá-la, tentando recuperar a calmaria ao seu redor. Sentia-se bem naquela situação, na qual todo o seu mundo havia se liquefeito, e seus pensamentos estavam concentrados em um som tão simples, e uma sensação tão prazerosa. Sentia-se livre. Livre por estar com os pés no chão, sem ninguém a repreendendo por haver a possibilidade de pegar uma gripe. Livre por não haverem problemas, e sua única preocupação seja controlar a sua respiração, para que haja mais silêncio.
  Silêncio. Há quanto tempo não o ouvia? Não sabia nem ao menos se ainda existia. O barulho, assim como sapatos apertados, atrapalhavam seus pensamentos, e ela gostava de pensar. Perdia seus olhos na imensidão de seu próprio ser, e pensava. Em tudo, e em nada. Em genialidades e em babaquices. Apenas pensava. E talvez, a última vez que tivesse ouvido o silêncio, tenha sido também a primeira e única durante a sua vida, quando estava ainda no ventre da sua mãe. Mas era um silêncio diferente, reconfortante. E agora,  um silêncio gélido, em um corredor escuro e solitário.
  Viu então, uma luz. E a medida que ia caminhando em direção a ela, sentia seu calor. Um calor aconchegante, o mesmo do ventre de sua mãe. Aquele calor a atraia, aquela luz, que não era ofuscante, mas sim a luz de um amanhecer em um dia com o céu limpo, a encantava. Começou a correr desesperada, ansiosa. Já não se tinha mais silêncio, mas sim, seus passos descompassados, e sua respiração desritmada. E a luz nunca chegava, ao contrário, parecia se afastar. Logo já não haviam somente seus passos e sua respiração, mas também, vozes. Gritando, felizes, desesperadas, em uma excitação incontrolável. Um barulho eletrônico acelerado, e logo uma luz. Mas não aquela luz, essa era ofuscante, quase insuportável. E então, ouviu sua respiração ritmada novamente, e o barulho eletrônico marcando seus batimentos cardíacos controlados. Quando seus olhos se acostumaram com a claridade outra vez, viu os rostos conhecidos lhe sorrindo. Estava no barulho novamente. Estava viva. E seus pés poderiam tocar o chão outra vez.